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Episódio Misto: Não confunda com Depressão!

27/07/2012

Olá a tod@s!

Há mais ou menos um mês estou em crise. Os primeiros sinais me passaram despercebidos. Isso não é comum. Eu costumava ter mais noção do que acontece comigo e ficava atenta a possíveis indícios de crise.

Primeiro, uma insônia diferente: eu acordando no meio da noite (isso nunca tinha acontecido). Em seguida uma sensação insuportável de abandono e rejeição, carência extrema. Uma crise de pânico (mais uma novidade!). Dificuldade de concentração… E a famosa vontade de morrer.

Uma dor, uma dor na alma. Uma dor indescritível. Só morrer poderia aliviar…

Projetos suicidas. Mas sempre buscando minimizar os efeitos de um suicídio na vida das outras pessoas. Queria poder morrer em paz, sem que isso interferisse na vida dos outros. Não há jeito!

Aí, como sempre, vou ao médico. Um médico de convênio que servia para passar receitas. Afinal de contas, a lamotrigina estava segurando a onda. Porém, ninguém estava preparado para lidar com uma nova crise. Nem eu, muito menos ele!

Eu me sentia meio estranha com aquele senhor. Ele não me olhava muito, ficava com os olhos no computador, analisando meu prontuário online. Para encurtar a história, ouvindo meu relato ele foi objetivo: você está com depressão! O que ele fez? Manteve a lamotrigina e entrou com bupropiona, que segundo ele é um anti-depressivo seguro, que não me deixaria maníaca.

Cinco dias de desgraça se passaram: além da vontade de morrer, agora sentia calafrios, enjôo, dores de cabeça, boca seca, sensação de tremor. Ahhhh… Se eu estou com dor na alma e vontade de morrer, quem sabe umas dores no corpo também não ajudariam? A vontade agora era de morrer o mais rápido possível!

Até que não aguentei mais e liguei para a minha médica do ano passado. A que parou de aceitar planos de saúde. Ela já começou o tratamento pelo telefone mesmo. Fez um encaixe para o dia seguinte. Me fez um desconto. Me senti gente! Eu não era mais uma paciente! Um número… Quarenta reais a mais no bolso do médico de convênio!

Em 40 minutos de atendimento, a Dra. Sabrina conseguiu me avaliar decentemente. Não era depressão. É um episódio misto! Um Episódio Misto! Ela tirou a bupropiona. Diminuiu a lamotrigina. Entrou com o divalproato de sódio. Ahhhhhhhhhhh… Alívio!

Ainda estou me adaptando. Mas sinto-me bem melhor!

Volto em breve para dar mais depoimentos!

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Estável é quem já morreu!

25/07/2012
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Andei muito bem nos últimos meses. Tanto que nem via tanto sentido em alimentar essas páginas. Porque as páginas que escrevo aqui são uma espécie de terapia para mim mesma, mas que acabam dando informações para quem lê e se identifica.

Acontece que tem alguns dias que andei sapateando na lama. Primeiro as insônias novamente. Aquela coisa de ficar tagarelando por dentro na hora em que deito a cabeça no travesseiro. Depois as brigas por causa da falta de paciência com as pessoas. E então uma depressão por causa das brigas. E uma raiva enorme por perder a estabilidade!

Hoje acordei pensando que a instabilidade é a base da vida. Que não tenho que buscar a estabilidade. Só a morte é estável. Viver é instável. E aprendi uma vez num a aula de circo, que na corda bamba quem fica muito firme e rígido, nunca se equilibra. Precisamos então aprender a sermos flexíveis.

Um galho flexível dificilmente quebra com uma ventania. Já os mais duros, acabam se partindo.

Todo mundo no psiquiatra

18/03/2012

Há alguns anos não precisava me preocupar com marcações de consulta. Fiel aos médicos, passava por lá com as consultas previamente marcadas e saia com minha receitinha que duraria mais ou menos dois meses. Mas, essa semana abalaram minha santa estabilidade com um telefonema.

Senhora, estou telefonando para avisar que não atenderemos mais o seu plano de saúde e por isso vamos estar desmarcando a sua consulta do dia 10 de abril

Como assim? Vão desmarcar minha consulta? Nã-nã-não…  Quanto custa se eu for pagar particular?

250 reais, senhora! A senhora quer estar mantendo seu horário?

Sim, claro! Depois eu penso no que fazer…

Me lembrei da psiquiatra antiga, maravilhosa, que eu havia abandonado depois que parou de atender ao plano de saúde. A consulta dela custava 200 reais. Quem sabe eu achava um horário com ela? Liguei para a clínica e descobri que ela agora cobra 350 reais. E só tinha horário para o final de abril.

Outros médicos conveniados só tinham horário para junho! Junho?? Como eu sobreviveria sem medicamento de abril a junho???

Gente? O que está acontecendo??? Os bons médicos estão saindo dos convênios e cobrando os olhos da cara. Os outros só tem horário para daqui a meses? Só posso concluir uma coisa:

ESTÁ TODO MUNDO NO PSIQUIATRA!

A procura está alta. Tá todo mundo louco! Oba! Silvio Brito não imaginava uma coisa dessas quando lançou sua música, ou imaginava?

Que venha 2012

27/12/2011

Não sei se o mundo vai acabar! Nem estou preocupada com isso!

O que sei é que estou estável. E isso é tudo o que me importa.

Participei das filmagens de um documentário sobre Bipolaridade que deve ser lançado. Espero que tenha repercussão. Que as pessoas possam saber do que se tratam os transtornos da mente, que saibam através de nossos olhos. Sem os filtros da mídia, que por vezes é tão descuidada.

Deixo aqui os meus votos sinceros de um ano novo maravilhoso com:

  • Estabilidade;
  • Saúde;
  • Dinheiro no bolso;
  • Terapia;
  • Medicação;
  • E amor, muito amor!!!

Euforia!!!!!!!!!!!!!!! Estou a mil por hora!!!

25/10/2011

 

Fazia tempo que não passava por isso. Tive uma notícia maravilhooooosa ontem de manhã e até a tarde de hoje fiquei a mil por hora. O bagulho foi tão frenético que agora de tarde, quando consegui dar uma amenizada no estado maníaco, caí em exaustão. Deitei e dormi 2 horas seguidas. É incrível como durante o dia a gente nunca tem insônia. (risos)…

Pela primeira vez não gostei da parte eufórica de ser bipolar. Eu sempre gostava da sensação de extrema satisfação, da agitação do corpo, da alegria imensa. A vontade de extravasar me fez ligar para alguns amigos. Com taquilalia (pra quem não sabe é fala excessiva e acelerada), voz trêmula e respiração ofegante ia contando a novidade e as consequências todas muito boas relacionadas a ela. Sempre repetindo pra eles não ficarem preocupados, que eu sabia que estava com mania, mas que eu ia ficar bem. Esses amigos mais próximos sabem sobre o que eu tenho e me dão muito apoio.

Oras, minha vida vai mudar pra melhor e o que me vem é um sintoma? Fiquei chateada. Principalmente porque dormi pouco e mal, tencionei a mandíbula de um jeito que está doendo até agora, fiquei com a musculatura toda retesada e uma sensação interna de abalo total. De manhã, quando a notícia chegou fiquei sem ar e tive que sair dirigindo pra buscar meus pais no aeroporto. Os pensamentos acelerados eram bombardeados com a preocupação: “eles não podem perceber, eu tenho que disfarçar!”. Fiz todos os exercícios respiratórios que eu conheço para melhorar. Em 20 minutos estava melhor, mas ainda trêmula, com o coração a mil por hora e com o pensamento acelerado. Minha mãe chegou: “e aí, alguma novidade”. E eu, falando bem alto: “uuuuuuuuhhhhhh, muitasssssssssss, só coisa maravilhosa e…”. Percebi que estava me descontrolando e falei: “mas me conta da viagem!”. Ufa, escapei. O resto do tempo foi fácil. Não contei as novidades e mantive a linha!

Em casa, fim de tarde, pulando, andando pra lá e pra cá, falando sozinha e de vez em quando dando uns gritos de alegria, me empolgava até a noite chegar. Entrei na internet, fiz um monte de coisa, respondi emails, escrevi projetos, textos, tive novas ideias, produção 200%. Deitei. A cabeça rodando. Levantei. Fiz uma meditação. Deu certo. Deitei. A mente começou: “estou relaxaaaadaaa, estou com sonoooo” um mantra que me ensinaram para momentos de insônia. Dormi uma meia hora. Acordei. Batimentos cardíacos acelerados. Tomo rivotril? Não tomo? Tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo, tomo, não tomo. Não tomei! Deitei novamente. Respirei profundamente. Fiz todo aquele procedimento “minha perna está pesada, meu corpo está pesado, meus braços estão pesados, minha cabeça está pesada”. “Será que já estou conseguindo dormir? Quero prestar atenção até conseguir dormir. Por que será que a gente nunca se lembra do momento exato em que começou a dormir? Agora vou ficar atenta e ver exatamente a hora em que eu começar a dormir”. Isso durou umas 3 horas, mais ou menos.

Acordei de manhã toda moída. Levantei e começou tudo de novo. Respiração ofegante. Sem fome. Ligando para um monte de gente. Tem gente pra quem não dá pra contar. Tem gente que tem inveja. Tem gente que não precisa saber. Fiz 4 meditações. Nada! Liguei para a terapeuta pra saber se deveria tomar rivotril. Caixa-postal. Deixei mensagem. Fui para a varanda do apartamento. Deitei na rede. Tomei sol. O sol me esquentou. Fiquei mole. Um amigo ligou. Eu disse que não tinha fome. Ele me mandou comer (nessas horas a gente precisa de alguém pra mandar mesmo, é mais eficiente). Esquentei um arroz integral (era a única coisa que passaria pela minha garganta). Respirei. A terapeuta ligou. Queria me atender. Eu disse que tinha melhorado. Ela ensinou uma técnica nova. Usei a técnica. Ela disse pra eu ligar que ela me atenderia a qualquer hora. Agradeci.

Deitei. Dormi até agora. Acordei melhor, mas com o corpo parecendo que eu caminhei por 5 horas no deserto do Saara. Pensei: preciso escrever isso. Para contar pros outros. Pra saber se eles também sentem isso. Para me sentir gente…

E aqui estou eu!!!

Adesão ao tratamento

04/08/2011

Olá pessoas queridas que acessam este blog!

Estive aqui, com meus botões, refletindo sobre uma questão. De tanto receber mensagens e depoimentos de pessoas que têm transtornos como o meu, reclamando sobre os efeitos colaterais dos medicamentos, do descaso dos profissionais de saúde e da família, etc… cheguei a uma conclusão. Eu nunca tinha pensado nisso, mas acompanhem meu raciocínio:

Dizem que nós, principalmente os bipolares, não aderimos ao tratamento. Que isso é uma das características peculiares que nos define. Mas quando um de nós, se submete humildemente aos ditames da medicina psiquiátrica e da psicologia, o que costuma acontecer? Teremos sorte se não ficarmos obesos e inchados. De uma hora para outra perdemos um pedaço de nossa identidade e ganhamos quilos e sensações tão horríveis de acúmulo de líquido que mal conseguimos fechar nossas mãos. É assustador! Devastador também. Daqui a pouco, fazemos exames e descobrimos que nossos fígados, rins ou tireóides ou todos juntos estão começando a reclamar dos remédios. Se tivemos sorte, teremos uma tireodite – como foi meu caso. Na pior das hipóteses uma cirrose medicamentosa ou qualquer outra coisa medonha! De repente, éramos descompensados e passamos a ser feios, doentes, sem brilho, sem graça, sem identidade. Quem quer ficar assim????

Aí, vamos aos profissionais reclamar dessas coisas e eles acham que estamos reclamando porque somos doidos, caprichosos, teimosos, resistentes ao tratamento! E não alteram em nada nosso tratamento ou mudam uma coisinha aqui outra ali. Se reclamamos que estamos inchados, nos mandam fazer drenagem linfática! Drenagem linfática!!! Drenagem linfática??? Como assim? Pergunte se eles tomariam um remédio que os deixasse inchados como umas bolas? Com o fígado podre, com a tireóide lenta? É claro que vão nos dizer que sim, que tomariam os remédios! Mas eu duvido!!!!

É por isso, minha gente, que reforço aqui o que já disse muitas outras vezes nesse blog: pesquisem por conta própria, consultem vários profissionais, testem os tratamentos e exijam respeito, demonstrem que sabem das coisas, não se deixem ser tratados como loucos! Vamos lutar para melhorar nossas condições. E que possamos aderir alegremente aos tratamentos, desde que estes tragam bem estar e qualidade de vida de modo amplo!

De bem com a vida!

23/07/2011

Humor estável, férias, sexo, 250mg Lamitor por dia, terapia semanal, personal trainner, massagista, sexo, férias, eu já disse férias? ah também já disse sexo?

Nada de rivotril!

O que mais poderia eu querer?

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