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Litemia 2: Meu Desastre Ecológico

16/08/2010

Estou me sentindo uma verdadeira chernobyl humana. É que quando aumentamos a dosagem do lítio eu pensei que tudo ia melhorar ainda mais, porém…

Litemia 2: com o dobro de lítio minha litemia caiu pela metade. No mesmo nível de quem não toma lítio. É que eu inchei. Bastante! E, segundo a psiquiatra, o lítio se diluiu. Resultado: além dos óbvios inchaços e outras complicações físicas, as alterações de humor vieram com tudo.

Briguei com quase todo mundo. Minha irritação chegou ao ápice. Sentia minhas emoções como uma pessoa nua numa tempestade de areia. Qualquer mínimo grão era irritante. Extremamente irritante. Cheguei a doar minha cachorra (mas não levaram embora).

Para arrematar o desastre, minha TSH – o hormônio estimulante da tireóide – está aumentada. Ou seja, quase hipotireoidismo. Só o tempo vai dizer se essa taxa vai voltar ao normal. Nem sei o que dizer. Um pesadelo!

Não quero que fiquem com pena de mim. Fiquei fora do ar porque o inchaço comprometeu minhas mãos. Mas mesmo assim considero que a experiência foi válida. Fui à clínica psiquiátrica e vi outros bipolares em estado bastante doloroso. Um deles descoloriu todos os cabelos do corpo. A mãe dele estava lá, desesperada. Tinha gastado 12 mil reais com um mês de internação… Acabei me conformando com minhas limitações.

Agora nova etapa: de volta à lamotrigina. Quem sabe ela me emagrece?

O louco é que eu fico pensando: a lamotrigina ataca meu fígado – aumenta a Gama GT; o lítio pode acabar com meu rim e atacou minha tireóide; o valproato e seus amigos lesionam o estômago; o trilpetal me deixava muito sonolenta e com a língua dormente… Ou seja, tenho que escolher qual desastre ecológico pessoal poderei suportar. Por enquanto fico com o fígado porque minha Gama GT depois que parei a lamotrigina voltou ao normal, porque dá pra tomar alguma coisa para controlar e porque, na pior das mais horríveis das hipóteses, é mais fácil de transplantar (aiaiai meu catastrofismo!!!!).

Ainda estou um tanto irritada. Ontem eu estava deprimida. Amanhã desejo melhorar.

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11 Comentários leave one →
  1. 16/08/2010 1:55

    Oi, flor.

    Como disse, cá estou, participando de seu blog que já sou capazde ver como um importante passo na história de nosso tão conhecido TAB.

    Sobre o lítio, não tenho muito a dizer. Nunca foi prescrito lítio para mim.
    Talvez por ter sido confundido com personalidade borderline, o seu caso seja parecido com o meu (tenho episódios mistos).

    Realmente não acho um problema o paciente participar, perguntando sobre determinados medicamentos, então, lá vai. (Repare que não estou recomendando, estou dizendo só que se seu caso for de transtorno bipolar com predominância de episódios mistos, como o meu, não tem nada de mais você dizer pra médica “e tal medicamento? o que a senhora acha?”).

    Lembro-me que comecei tomando divalproato de sódio e tioridazina. O divalproato é a melhor opção para o ácido valpróico, pois tem o mesmo princípio ativo e muito menos efeitos colaterais. A tioridazina é antipsicótico, mas ela não ajudou nos meus sintomas. Após isso, a tioridazina foi trocada pela risperidona, que teve um melhor efeito, mas o médico tirou este medicamento da minha prescrição quando comecei a ter uns tiques. Ele disse que era por causa da risperidona, e resolveu tirar. Fora que, com o tempo, a risperidona vai deixando as articulações meio duras, você fica parecendo um robozinho. Nessa época, tomei também fluoxetina, mas não teve muito efeito. Nunca me dei bem com antidepressivos.
    O medicamento que foi quase um milagre na minha vida foi a quetiapina, em conjunto com o valproato. A quetiapina é classificada como antipsicótico, mas também é estabilizador do humor e antidepressivo. Isso faz da quetiapina uma das melhores opções atuais para bipolares com predominância de episódios mistos, bem como bipolares com predominância de episódios depressivos. Com a quetiapina, meu problema principal foi a queda da pressão arterial, pois ela tem este efeito, até sendo usada pra induzir o sono (como foi também no meu caso, já que sou uma frequente vítima da danada da insônia).
    Fora isso, acabei tendo gastrite, mas isso é praticamente impossível de se evitar para quem toma tantos comprimidos todos os dias. Para evitar os problemas no trato digestivo, as melhores opções são as drágeas e as apresentações líquidas dos medicamentos (gotas).
    Também tomei clonazepam, mas este é o tipo de medicamento que não se recomenda a alguém perguntar ao seu médico, já que ele deprime o sistema nervoso central. Depressores do SNC devem ser sempre última opção, pois comprometem muito TUDO o que o o SNC controla. Compromete apenas enquanto você está tomando, mas quem é que quer ficar sem poder dirigir, falando e fazendo as coisas devagar, sem conseguir estudar, etc? Além do fato de causar dependência.

    Te contei isso tudo pra, de repente, você conversar com sua médica sobre como ela acha que se manifesta o seu caso específico de TAB e tentar encontrar um medicamento ou dois que sejam efetivos, sem comprometer o seu dia-a-dia.

    Abraço, flor.
    Continuarei acompanhando.

    • Lady permalink*
      16/08/2010 5:13

      Olá minha querida Hami!
      Que bom ter alguém aqui para conversar…

      Concordo com você.
      Quando mudei de trileptal para a lamotrigina fiz isso mesmo. Conversei com o psiquiatra daquela época (2004) e perguntei: “será que não daria para testarmos essa nova droga e ver se eu paro de ficar com a língua dormente e essa moleza toda?”…

      O lance é que depois de 4 anos tomando o lamitor minha gama gt foi subindo e subindo… Parecia até que eu era alcoolista… E eu comecei a ter umas coisas ruins, umas dores abdominais e mal estar, coisas de problema de fígado mesmo… Então um novo psiquiatra testou a retirada desse estabilizador que funcionava tão bem no controle do humor e passou a utilizar olcadil com lexapro. Até eu ter uma vontade controlável porém recorrente de me matar. Decidimos então testar a sertralina. Até que ela parou de fazer efeito.

      Minha nova psiquiatra disse que com bipolares é assim mesmo, chega um tempo que determinadas drogas não fazem mais efeito, principalmente os anti-depressivos.

      A volta à lamotrigina é uma caminhada em um terreno conhecido. Já deu certo uma vez e nunca parou de dar certo, foi deixada de lado por atacar meu fígado. Na verdade foi abandonada porque o psiquiatra daquela época (2008/2009) não acredita em remédios. Eu já reclamei dele em posts anteriores…

      Enfim, vamos aguardar.
      Manterei o blog atualizado, desde que eu tenha forças para teclar.

      Mais uma vez obrigada pela mensagem!

      Lady B.

  2. Denise permalink
    19/08/2010 1:34

    Eu nem sempre comento, mas estou sempre por aqui, te desejando força, sempre!

  3. Samara permalink
    19/08/2010 18:58

    Bom, fia, só posso te dizer que faz parte do caminho. Eu nunca tive problema de inchaço com o lítio, mas conheço muita gente que teve…
    É dificil na hora, mas tem que se concentrar que é só um tropeção no caminho da melhora, que vc tem consciência de que tem um problema e está buscando a estabilidade ativamente – e a encontrará, como eu encontrei.
    Beijo e toda boa sorte do mundo.

  4. Mirtes Gazzana Roso permalink
    09/09/2010 21:42

    navegando hj pela web, encontrei teu blog e lendo teus posts pensei: isso acontece com outras pessoas tbm….sim, pq a gente acaba se sentindo meio sozinha diante de todos esses sintomas e pensamentos…os familiares “cuidadores” como diz a minha psicóloga, auxiliam, mas não sentem o que a gente sente, por isso conversar com alguém que sente é muito, muito diferente….adorei o comentário sobre a terapia, comparando-a a um parto a fórceps…é verdade, uma coisa que às vezes dá vontade de mandar o terapeuta para longe…mexem nas memórias da gente e falam, falam, dizendo coisinhas, como se fosse bem fácil deixar de ser assim como fui e reagi até hoje e amanhã começar a fazer diferente…não é tão simples assim. Meu calvário começou um dia antes do dia da mentira, esse ano. Mas venho sofrendo com esses fantasmas de suicídio, vontade de não viver, de sumir, de viajar e não voltar, de não querer falar com ninguém, de intolerância à hipocrisia, de desistir de viver uma vidinha normal há mais de uma década. Nessa fase, só com antidepressivos…quando eu estava numa fase muito down, desanimada, tinha um médico muito louco que me dava anfetamina, pra eu poder me levantar da cama e trabalhar. O femproporex, chegava a tomar três por dia, pra me sustentar de pé. Emagrecia facilzinho. Mas isso não deu pra continuar, eu sabia que não estava certo. Minha parte consciente, eu digo pra psicóloga. Nesse ano tive uma crise de pânico no trabalho. Fiquei muito mal e a partir daí começou o calvário pelos psiquiatras, a festa dos medicamentos e o festival de efeitos colaterais. De março até agora já tomei ansitec e paroxetina (uma águinha pro meu problema, disse a psicóloga), passei pro trileptal, combinado com citalopram e lexotan, por dois meses cada combinação. Umas bombas. Engordei dez quilos e terminei com uma crise terrível de depressão, com vontade de sumir e até idealizando o famigerado suicídio. Já estava escutando vozes que me diziam para pegar minha arma (sou policial) e terminar com tudo. Antes da crise, na fase de euforia, quando me sentia bem (de tarde e de noite só, de manhã estava inativa), comprei tudo o que podia e comprometi todo o meu salário por vários meses, talvez anos. Até que a psicóloga, sabendo de tudo, chamou meu marido e implorou pra me levar noutra psiquiatra. Nova consulta, conta tudo de novo. Começa tudo de novo. Dessa vez o lítio e a lamotrigina, juntos. Melhorei. Agora consigo levantar de manhã. Até estou indo numa academia de ginástica. Já passou bastante a tontura, o inchaço generalizado, ficaram o tremor nas mãos e dor de cabeça, de vez em quando. Mais sede também. Tinha esperança que o lítio me fizesse perder peso, mas depois de tudo o que tenho lido, não sei não….isso me amedronta sabe…não gostaria de permanecer sempre com 10 ou mais quilos acima do peso….mas e se esse for o preço para estar melhor? O que você faria? O que eu farei? Fiz a litemia hj….é claro que nada é perfeito mesmo nesse mundo…se o único medicamento que te deixa bem, te possibilita viver mais dentro da normalidade te faz ganhar peso e pode te levar ao hipotireoidismo, fazendo tu engordar ainda mais…..qual seria a escolha mais certa? será que vale a pena ficar em forma e sendo um “carma” para si mesmo e para os familiares, tendo que ser juntado do fundo do poço, ou ficar sem cartões de crédito, sem cheques, nem dinheiro, pra não fazer bobagem, ou ficar “gordinha” e estável? Digo estável porque não sei se existe alguma outra opção para quem possui transtornos emocionais….nosso mundo não possui a mesma coloração que o mundo dos outros e nossas reações não são as mesmas, por isso não somos distraídos, como falaste num post, sobre um e-mail que recebeste. Acho simplesmente que não conseguimos ver as coisas da mesma forma que os outros, falta cor, falta brilho, falta movimento e temos que tentar ser feliz nessas circunstâncias……..felicidade hoje, pra mim, é estar estável. Beijo. voltarei outras vezes.

    • 07/01/2011 21:40

      Oi Mirtes, que bom ter você por aqui e que pena que você chegou num momento onde eu acabei por sumir. Espero que ainda dê tempo de a gente trocar algumas palavras!
      Que coisa interessante que suas verdades tenham surgido um dia antes do dia da mentira. Emblemático, não acha? Sorte que você tem familiares cuidadores. Numca tive essa alegria, tenho outras alegrias dos amigos cuidadores, mas minha família é mesmo um terror!
      Fiquei chocada com seu “médico” que te dava anfetaminas, apesar de eu já ter feito uso dessas substâncias para ter vontade de me mexer. Mas é desse tipo de “profissional” que eu falo que devemos temer e nunca desistir de buscar outras opções. Ainda bem que você teve consciência para parar com isso porque ninguém merece definhar, mesmo que emagrecer seja algo que buscamos com prazer!
      Credo! Quanta coisa terrível você enfrentou. Sabe, lendo seu comentário pensei que se eu tivesse acesso a armas como você tem não sei se estaria aqui escrevendo nesse momento. Que coisa complicada!
      A sua pergunta é bastante pertinente, toda a sua reflexão a respeito dos prós e contras das medicações fazem muito sentido. Tendo a concordar com você quando diz que é melhor ser uma gordinha autônoma e meramente feliz do que estar em forma e ser um fardo para si e para outros. Mas sempre acredito que podemos alcançar nossos objetivos de forma plena. Veja, eu não me dei bem com o lítio de jeito nenhum e olha que ele foi o remédio mais eficaz que já tomei até hoje, mesmo que tenha sido por curto período eu tenho certeza do que estou dizendo.
      Ademais concordo contigo plenamente sobre estar estável e estar feliz. Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho. Já dizia um sábio oriental!
      Beijos e até breve!

  5. Joseildes Farias Fonseca permalink
    04/08/2011 16:49

    Saudações,

    Peço uma ajuda. Já faz tempo que utilizou Litio 450mg e Depakote ER 500mg, Estou ficando inchando, problemas de figado gorduroso, triglicerideos altierrimos, mais altos que meus altos e baixo. E para lembrar faz seis anos que não ponho um maclanche na boca o que quero dizer que tenho uma vida saudavel em relação a alimentação. Reiterando estou ficando com edemas localizados, perifericos, estufamento, distensão abdominal, rpisão de ventre. Para exemplificar como quatro colheres de arroz integral e já fico totalmente com a sensação de inchaço e não suporto mais comer. O que está acontecendo alguém já passou por essa situação ou algo parecido? desde já obrigado.

    Joseildes Farias Fonseca

  6. marilene permalink
    22/01/2012 1:43

    Eu era feliz e não sabia.Em fevereiro de 2011 tive a infelicidade de ter HPiloris no estomago,ao mesmo tempo tive q sacrificar minha cachorra companheira de 5 anos por lexmaniose.A partir dai minha imundade baixou e hoje tenho depressao e panico,do mais terrivel se é q ha,sai do trabalho q gostava e fiquei a merce de meus filhos ora na casa de um ora de outro,claro desagradando noras e genros.Hoje moro com uma irma evangelica e eu que dançava e me divertia tanto vou a igreja pois prometi a Deus e vou cumprir.Choro e sofro pois fiquei com fobias.procurei tratamento em tudo o q era terapia,desde a aplicaçãop transcraniana,acumpuntura,ostiopatia e terapia com psicologos.Estou no terceiro psiquiatra e tomando agora trileptal.Ja tomei de tudo e tive efeitos colterais horriveis.A luta pela vida não é brincadeira,virei uma medrosa e até minha filha não acredita no q ve.Sempre fui guerreira,lider de sindicatos ,viajei muito e hoje,tenho medo de tomar o circular pode?É o final do mundo com essas doenças malucas

    • 24/01/2012 14:01

      Marilene, Joseildes,

      Realmente as coisas andam difíceis.
      Só posso dizer que é preciso investir, muito e sempre. Investir em saúde com atividades físicas, com terapias tradicionais e alternativas e medicação, quando for o caso…

      É só o que posso dizer no momento.

      Mesmo sem dinheiro, porque investir não significa necessariamente gastar.

      Abraços!

  7. Maristela permalink
    24/07/2012 23:40

    Gente, nao vou falar sobre os varios medicamentos, so vou dizer que a troca pode e deve ser feita de vez em quando, se a gente relata ao psiquiatra que nao esta bem. Muda de remedio, acrescenta mais um, aumenta as dosagens, diminui novamente…..tem periodos que a gente pensa: to pessima, nao vejo melhoras ou entao: fiquei 6 meses tao bem tomando remedio e agora de repente to tao mal, cabeça zonza, dor no corpo, desanimo total…ai, ai….começa terapia, para terapia….
    Mas pessoal, coragem! apos 4 anos, sinto-me bem…apesar de uma pequena crise ha 15 dias….aumenta a dose da medicaçao…..mas o bem estar hoje, nao tem preço…..Entao, galera, nao desistam…remedios, terapia, amigos, familia, trabalho, oraçoes…nao vamos abrir mao de nada….mesmo q tenhamos que tomar remedios para o resto da vida, nao importa…….VALE A PENA VIVER….

    • 25/07/2012 5:14

      Maristela!
      Adorei seu comentário!
      É isso aí! Ando numa fase melhorzinha… Tive que radicalizar em umas coisas aqui e ali, tipo trocar de psiquiatra mesmo, me recusar a tomar determinados tipos de remédio etc. Mas é como você disse, sem desistir! Vamo que vamo!

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